Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Os versos que te fiz

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolencia de veludo caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !

Mas, meu Amor, eu não te digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz.

Publicado por Pseudónimo às 10:07
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Velhinha

Se os que me viram já cheia de graça

Olharem bem de frente para mim,

Talvez, cheios de dor, digam assim:

"Já ela é velha! Como o tempo passa!..."

 

Não sei rir e cantar por mais que faça!

Ó minhas mãos talhadas em marfim,

Deixem esse fio de oiro que esvoaça!

Deixem correr a vida até ao fim!

 

Tenho vinte e três anos! Sou velhinha!

Tenho cabelos brancos e sou crente...

Já murmuro orações... falo sozinha...

 

E o bando cor-de-rosa dos carinhos

Que tu me fazes, olho-os indulgente,

Como se fosse um bando de netinhos...

Publicado por Pseudónimo às 10:06
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Eu não sou de ninguém

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Eu não sou de ninguém!...  Quem me quiser
Há-de ser luz do Sol em tardes quentes;
Nos olhos de água clara há-de trazer
As fúlgidas pupilas dos videntes!

Há-de ser seiva no botão repleto,
Voz no murmúrio do pequeno insecto,
Vento que enfurna as velas sobre os mastros!...

Há-de ser Outro e Outro num momento!
Força viva, brutal, em movimento,
Astro arrastando catadupas de astros!

Publicado por Pseudónimo às 10:04
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Em busca do amor

O meu Destino disse-me a chorar:

"Pela estrada da Vida vai andando,

E, aos que vires passar, interrogando

Acerca do Amor, que hás-de encontrar."

 

Fui pela estrada a rir e a cantar

As contas do meu sonho desfiando...

E a noite e dia, à chuva e ao luar,

Fui sempre caminhando e perguntando...

 

Mesmo a um velho eu perguntei: "Velhinho,

Viste o Amor acaso em teu caminho?"

E o velho estremeceu... olhou...e riu...

 

Agora pela estrada, já cansados,

Voltam todos pra trás desanimados...

E eu paro a murmurar: "Ninguém o viu!..." 

 

Publicado por Pseudónimo às 10:02
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Horas rubras

Horas profundas, lentas e caladas
Feitas de beijos sensuais e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas…

Ouço as olaias rindo desgrenhadas…
Tombam astros em fogo, astros dementes.
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata p’las estradas…

Os meus lábios são brancos como lagos…
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras…

Sou chama e neve branca misteriosa…
E sou talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!

Publicado por Pseudónimo às 10:00
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Languidez

Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,
Que poisam sobre duas violetas,
Asas leves cansadas de voar...

E a minha boca tem uns beijos mudos...
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
Traçam gestos de sonho pelo ar...

Publicado por Pseudónimo às 09:59
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Charneca em flor

Enche o meu peito, num encanto mago,
O frémito das coisas dolorosas...
Sob as urzes queimadas nascem rosas...
Nos meus olhos as lágrimas apago...

Anseio! Asas abertas! O que trago
Em mim? Eu oiço bocas silenciosas
Murmurar-me as palavras misteriosas
Que perturbam meu ser como um afago!

E, nesta febre ansiosa que me invade,
Dispo a minha mortalha, o meu burel,

E  já não sou amor, soror saudade.

 

Olhos a arder em êxtases de amor,
Boca a saber a sol, a fruto, a mel:
Sou a charneca rude a abrir em flor

 

Publicado por Pseudónimo às 09:56
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Alma perdida

Toda esta noite o rouxinol chorou,
Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
Alma de rouxinol, alma da gente,
Tu és, talvez, alguém que se finou!

Tu és, talvez, um sonho que passou,
Que se fundiu na Dor, suavemente...
Talvez sejas a alma, a alma doente
Dalguém que quis amar e nunca amou!

Toda a noite choraste... e eu chorei
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós!

Contaste tanta coisa à noite calma,
Que eu pensei que tu eras a minh'alma
Que chorasse perdida em tua voz!...

Publicado por Pseudónimo às 09:46
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Sem remédio

Aqueles que me têm muito amor

Não sabem o que sinto e o que sou...

Não sabem que passou, um dia, a Dor

À minha porta e, nesse dia, entrou.

 

E é desde então que eu sinto este pavor,

Este frio que anda em mim, e que gelou

O que de bom me deu Nosso Senhor!

Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

 

Sinto os passos da Dor, essa cadência

Que é já tortura infinda, que é demência!

Que é já vontade doida de gritar!

 

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio.

A mesma angústia funda, sem remédio,

Andando atrás de mim, sem me largar!

Publicado por Pseudónimo às 09:46
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Impossível

Disseram-me hoje, assim, ao ver-me triste: 

"Parece Sexta-Feira de Paixão.

Sempre a cismar, cismar de olhos no chão,

Sempre a pensar na dor que não existe...

 

O que é que tem?! Tão nova e sempre triste!

Faça por estar contente! Pois então?!..."

Quando se sofre, o que se diz é vão...

Meu coração, tudo, calado, ouviste...

 

Os meus males ninguém mos adivinha...

A minha Dor não fala, anda sozinha...

Dissesse ela o que sente! Ai quem me dera!...

 

Os males de Anto toda a gente os sabe!

Os meus ...ninguém... A minha Dor não cabe

Em cem milhões de versos que eu fizera!...

Publicado por Pseudónimo às 09:44
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Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar!  Amar!  E não amar ninguém!

Recordar?  Esquecer?  Indiferente!...
Prender ou desprender?  É mal?  É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Publicado por Pseudónimo às 09:43
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Nocturno

Amor! Anda o luar, todo bondade,
Beijando a Terra, a desfazer-se em luz...
Amor! São os pés brancos de Jesus
Que anda pisando as ruas da cidade!

E eu ponho-me a pensar... Quanta saudade
Das ilusões e risos que em ti pus!
Traças em mim os braços duma cruz,
Neles pregaste a minha mocidade!

Minh'alma que eu te dei, cheia de mágoas,
É nesta noite o nenúfar de um lago
Estendendo as asas brancas sobre as águas!

Poisa as mãos nos meus olhos, com carinho,
Fecha-os num beijo dolorido e vago...
E deixa-me chorar devagarinho...

Publicado por Pseudónimo às 09:42
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Mais triste

É triste, diz a gente, a vastidão 

Do mar imenso! E aquela voz fatal

Com que ele fala, agita o nosso mal!

E a Noite é triste como a Extrema-Unção!

 

É triste e dilacera o coração

Um poente do nosso Portugal!

E não vêem que eu sou...eu...afinal,

A coisa mais magoada das que o são?!...

 

Poentes de agonia trago-os eu

Dentro de mim e tudo quanto é meu

É um triste poente de amargura!

 

E a vastidão do Mar, toda essa água

Trago-a dentro de mim num mar de Mágoa!

E a noite sou eu própria! A Noite escura!!

Publicado por Pseudónimo às 09:41
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A minha tragédia

Tenho ódio à luz e raiva à claridade

 

Do sol, alegre, quente, na subida.

Parece que minh'alma é perseguida

Por um carrasco cheio de maldade!


Ó minha vã, inútil mocidade,

Trazes-me embriagada, entontecida!...

Duns beijos que me deste noutra vida,

Trago em meus lábios roxos, a saudade!...

 

Eu não gosto do sol, eu tenho medo

Que me leiam nos olhos o segredo

De não amar ninguém, de ser assim!

 

Gosto da Noite imensa, triste, preta,

Como esta estranha e doida borboleta

Que eu sinto sempre a voltejar em mim!...

 

 

Publicado por Pseudónimo às 09:40
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Tédio

Passo pálida e triste. Oiço dizer:

"Que branca que ela é! Parece morta!"

E eu que vou sonhando, vaga, absorta,

Não tenho um gesto, ou um olhar sequer...

 

Que diga o mundo e a gente o que quiser!

- O que é que isso me faz? O que me importa?...

O frio que trago dentro gela e corta

Tudo que é sonho e graça na mulher!

 

O que é que me importa?! Essa tristeza

É menos dor intensa que frieza,

É um tédio profundo de viver!

 

E é tudo sempre o mesmo, eternamente...

O mesmo lago plácido, dormente...

E os dias, sempre os mesmos, a correr...

Publicado por Pseudónimo às 09:39
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