Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Fragmento 29

Levantou-se então um grande vento que varreu
de estrema a estrema entre o mar e a fronteira a terra dos homens
Durante três dias soprou constante arrastando
as nuvens dos incêndios e o cheiro da carne morta
dos invasores
Durante três dias as árvores foram sacudidas
mas nenhuma arrancada porque este vento era igual
a uma mão apenas firme
As carcaças dos animais mecânicos rolavam

pelas planícies como arbustos desenraizados e tudo era
arrastado para longe para os países onde os pesadelos nascem e o terror
Depois choveu e a terra ficou subitamente verde
com um enorme arco-íris que não se desvaneceu
nem quando o sol se pôs
Nessa primeira noite ninguém dormiu e toda a
gente saiu das cidades para ver melhor as sete cores
contra o fundo negríssimo do céu
E houve quem chorasse de joelhos na terra
branda nas ervas que rescendiam do vertiginoso cheiro do húmus
E houve quem ininterruptamente cantasse uma
extática melodia não ouvida antes que era o longo
suspiro soluço da vida que nascendo se sufoca plena na garganta
E pelos campos fora arderam fogueiras altas que
fizeram da terra vista do espaço um outro céu estrelado
E um homem e uma mulher caminharam entre a
noite e as ervas naturais e foram deitar-se no lugar
precioso onde nascia o arco-íris
Ali se despiram e nus debaixo das sete cores

foram toda a noite um novelo de vida murmurante

sobre a erva calcada e cheirosa das seivas derramadas
Enquanto longe no mar o outro ramo do arco-íris

mergulhava até ao fundo das águas e os peixes
deslumbrados giravam em redor da luminosa coluna
O dia amanheceu numa terra livre por onde cor-
riam soltos e claros os rios e onde as montanhas
azuis mal repousavam sobre as planícies
A mulher e o homem voltaram à cidade deixando

pelo chão um rasto de sete cores lentamente
diluídas até se fundirem no verde absoluto dos prados

Aqui os animais verdadeiros pastavam erguendo

os focinhos húmidos de orvalho e as árvores
carregavam-se de frutos pesados e ácidos enquanto
no interior delas se preparavam as doce combinações

químicas do outono
Entretanto o arco-íris tem voltado todas as noites

e isso é um bom sinal

Publicado por Pseudónimo às 14:32
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Fragmento 16

Podia ter acontecido a qualquer hora do diaQuando debaixo do sol a horda se deslocasse narasa e dura planícieOu quando à...

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Publicado por Pseudónimo às 14:31
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Fragmento 14

Nos quatro pontos cardeais os vigias defendem osono cansado da tribo ou rebanho de gente que va-gueia pelos camposUm hom...

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Publicado por Pseudónimo às 14:30
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Fragmento 6

Um dos resultados da catástrofe foi que de umahora para a outra os animais domésticos deixaramde o serA primeira vítima ...

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Publicado por Pseudónimo às 14:29
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Fragmento 4

O interrogatório do homem que saiu de casa de-pois da hora de recolher começou há quinze dias eainda não acabouOs inquir...

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Publicado por Pseudónimo às 14:28
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Fragmento 2

Os habitantes da cidade doente de peste estãoreunidos na praça grande que assim ficou conhecidaporque todas as outras se...

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Publicado por Pseudónimo às 14:26
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Eu luminoso não sou

Eu luminoso não sou. Nem sei que haja Um poço mais remoto, e habitado De cegas criaturas, de histórias e assombros. Se, ...

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Publicado por Pseudónimo às 14:25
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Protopoema

Do novelo emaranhado da memória, da escuridão dos nós cegos, puxo um fio que me aparece solto. Devagar o liberto, de med...

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Publicado por Pseudónimo às 14:22
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Na Ilha por vezes hab...

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites, manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer. Então sabemos t...

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Publicado por Pseudónimo às 14:21
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Poema para Luís de Ca...

Meu amigo, meu espanto, meu convívio, Quem pudera dizer-te estas grandezas, Que eu não falo do mar, e o céu é nada Se no...

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Publicado por Pseudónimo às 14:20
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Espaço Curvo e Finito

Oculta consciência de não ser, Ou de ser num estar que me transcende, Numa rede de presenças e ausências, Numa fuga para...

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Publicado por Pseudónimo às 14:20
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Fala do Velho do Rest...

Aqui, na Terra, a fome continua, A miséria, o luto, e outra vez a fome. Acendemos cigarros em fogos de napalme E dizemos...

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Publicado por Pseudónimo às 14:19
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Poema á boca fechada

Não direi: Que o silêncio me sufoca e amordaça. Calado estou, calado ficarei, Pois que a língua que falo é de outra raça...

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Publicado por Pseudónimo às 14:18
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Retrato do Poeta quan...

Há na memória um rio onde navegam Os barcos da infância, em arcadas De ramos inquietos que despregam Sobre as águas as f...

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Publicado por Pseudónimo às 14:13
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